Máfia das Passagens: Denúncia aponta revenda de bilhetes para Cabinda a 90 mil Kwanzas

Uma carta aberta dirigida ao Ministro dos Transportes, Ricardo de Abreu, denuncia a existência de um esquema de "privatização informal" de bilhetes de passagem da TAAG na rota Cabinda-Luanda. 


O documento, de autoria anónima que tem sido amplamente partilhado nas redes sociais, acusa grupos de cidadãos e agências de viagens de bloquearem o sistema oficial para revenderem passagens com margens de lucro superiores a 200%, prejudicando gravemente os passageiros e a operacionalidade dos voos.

Segundo a denúncia, enquanto o preço oficial da TAAG para o percurso de ida e volta ronda os 28 mil kwanzas, no mercado informal os mesmos bilhetes chegam a ser comercializados por 90 mil kwanzas. O esquema consiste em reservar massivamente os lugares no sistema, fazendo com que o site oficial mostre "indisponibilidade" mesmo com meses de antecedência, forçando o cidadão a recorrer a revendedores ilegais.

A carta estabelece uma ligação directa entre esta prática e os constantes problemas operacionais da companhia. Os voos aparecem como "lotados" no sistema, mas descolam com um número ínfimo de passageiros devido à falta de comparência de quem não conseguiu revender os bilhetes. Isto, segundo a denúncia, força a TAAG a adiar ou fundir voos para garantir a rentabilidade, resultando em esperas desumanas de mais de 12 horas nos aeroportos e na frustração de compromissos profissionais e pessoais.

O autor da missiva apela ao Ministro Ricardo de Abreu para a tomada de medidas urgentes e severas, incluindo a criminalização da revenda de passagens acima do preço oficial e o impedimento do embarque de passageiros com bilhetes de origem ilegítima. "É preciso eliminar este cancro para que o país ganhe um ritmo saudável de desenvolvimento", lê-se no documento, que descreve a situação actual como um entrave ao progresso nacional.

O texto finaliza com um retrato crítico das condições nos aeroportos, mencionando idosos a dormir nas instalações por falta de respostas e o cansaço extremo de passageiros e tripulações devido à sobrecarga de rotas feitas por aeronaves insuficientes. O apelo é para que o Ministério dos Transportes restaure a "confiança e a dignidade" no transporte aéreo doméstico.