FNLA: 6.º Congresso Ordinário marcado para Setembro sob fogo cruzado e gritos de renovação

A Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) prepara-se para um dos momentos mais decisivos da sua história recente. O 6.º Congresso Ordinário do partido foi agendado para os dias 23, 24 e 25 de Setembro deste ano, num clima de profunda clivagem interna que ameaça fragilizar a formação política na corrida às eleições de 2027.


Membros do Comité Central, que há muito contestam a liderança de Nimi a Simbi, veem neste conclave a última oportunidade para eleger uma nova direção capaz de dinamizar o partido e estancar a sua perda de influência no xadrez político nacional.

Em declarações ao jornal OPAIS, Joveth de Sousa, membro do Comité Central, foi porta-voz de um descontentamento generalizado. As principais críticas ao actual presidente, eleito em 2021, prendem-se com a gestão dos órgãos estatutários.

Acusam Nimi a Simbi de não convocar as reuniões do Comité Central nos prazos definidos (de seis em seis meses), estendendo-as por mais de um ano. As reuniões trimestrais obrigatórias estarão a ser realizadas apenas a cada oito ou dez meses. Para os críticos, esta gestão "fora de tempo" está a enfraquecer as bases e a desorientar a estratégia eleitoral do partido.

Com o mandato de Nimi a Simbi a terminar precisamente em Setembro, o "partido dos irmãos" encontra-se dividido em duas alas. O receio da ala renovadora é que, sem uma mudança drástica de liderança e de métodos de trabalho, a FNLA chegue a 2027 sem fôlego para competir com as principais forças políticas do país.