Caso CAN 2025: Figuras do futebol angolano contestam retirada de título ao Senegal

A decisão da Confederação Africana de Futebol (CAF) de retirar o título de campeão da CAN 2025 ao Senegal e entregá-lo a Marrocos está a gerar uma onda de indignação no meio desportivo angolano. Especialistas e antigos atletas descrevem a medida como "cruel" e um retrocesso para a reputação do futebol africano.


O Incidente da Final

A polémica remonta à final de 18 de Fevereiro, no Estádio Príncipe Moulay Abdallah, em Rabat. Após o árbitro congolês Jean-Jacques Ndala assinalar um penálti contra o Senegal já nos descontos, a equipa senegalesa abandonou o relvado em sinal de protesto. O episódio gerou momentos de alta tensão, com tentativas de invasão de campo e arremessos de objetos que causaram prejuízos de 450 mil euros nas infraestruturas do estádio.

Apesar do motim, a partida foi reatada após a intervenção do capitão Sadio Mané. O penálti foi desperdiçado por Brahim Díaz e, minutos depois, o Senegal selou a vitória por 1–0 com um golo de Pape Gueye. Contudo, o recurso interposto pela federação marroquina levou a CAF a aplicar o Artigo 84 do Regulamento, anulando o resultado desportivo a favor de uma vitória administrativa de Marrocos por 3–0.

Reações

Para as figuras ligadas ao futebol em Angola, a decisão da "secretaria" sobrepôs-se injustamente ao que aconteceu nas quatro linhas: O Técnico e Comentador, Alves Lede não poupou críticas à organização continental, classificando o episódio como uma mancha global. "Continuamos a ser aquela organização de futebol mais fraca que existe, porque não é uma situação normal. É uma vergonha para o continente", afirmou.

O antigo internacional angolano Cuca Lopes, defende que a punição é desproporcional. "A retirada do título ao Senegal não faz sentido. É uma atitude cruel", sublinhou, sugerindo que o organismo deveria ter optado por multas pesadas e suspensões aos intervenientes, em vez de alterar o campeão da prova.

Regulamento

A base da decisão da CAF reside no rigor do Artigo 84, que não tolera o abandono do recinto de jogo, independentemente de a equipa regressar para terminar a partida. No entanto, o debate agora centra-se na "ética desportiva" e na capacidade da CAF em gerir crises de alta pressão sem comprometer a integridade dos resultados obtidos no campo.

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Nunes Daniel (Repórter Kutunga Mídia)