Cadeirante denuncia humilhação e expulsão de autocarro da Angoaustral no Sequele

Uma denúncia de discriminação e violação dos direitos da pessoa com deficiência está a chocar os moradores do Distrito Urbano do Sequele. O cidadão José Miguel Gomes, residente no bairro Mayombe-B (Kifangondo), relatou ao Portal KUTUNGA MÍDIA, um episódio de exclusão ocorrido na manhã de 26 de fevereiro, envolvendo um motorista da empresa de transportes Angoaustral.


​De acordo com o relato da vítima, o incidente ocorreu por volta das 11h, quando tentava apanhar o autocarro com destino a Cacuaco. José Miguel afirma ter sido impedido de seguir viagem pelo motorista do veículo que aparentava ter 50 anos, sob a justificação de que a empresa teria dado "orientações específicas" para não transportar pessoas com deficiência, especialmente cadeirantes.

Segundo o denunciante, o motorista exigiu que, para ser transportado, teria de pagar o valor integral da passagem e uma taxa adicional para transportar a cadeira de rodas, ignorando o direito à prioridade e acessibilidade previsto por lei.

Perante a resistência do cidadão, o suposto funcionário da Angoaustral forçou a sua retirada do veículo, segundo disse.

​"O senhor tirou-me do autocarro e fiquei mais de três horas abandonado na paragem. É uma situação caricata e desumana. Nenhum ser humano espera ser deficiente, nem por um único dia", desabafou José Miguel em declarações enviadas à nossa redação.

​Um padrão de abusos?

​O denunciante acredita que este não é um caso isolado e teme que outros cidadãos com mobilidade reduzida estejam a sofrer o mesmo tipo de tratamento por parte dos funcionários da referida empresa.

José Miguel Gomes mostrou-se disponível para levar a denúncia às instâncias legais e exige um posicionamento público da direção da Angoaustral.

​O que diz a Lei

​A Constituição da República de Angola e a legislação complementar sobre a proteção da pessoa com deficiência proíbem categoricamente qualquer forma de discriminação no acesso a serviços públicos e privados, garantindo a dignidade e a inclusão social como pilares fundamentais.

​O portal KUTUNGA MÍDIA tentou contactar a empresa Angoaustral para obter o direito de resposta, mas até ao fecho desta edição não obteve retorno. Mantemos os nossos canais abertos para o devido esclarecimento.